virgínia, que nasceu na ressaca do rock
bebia com gelo
pra ver se o gelo
quebra a bebida
pra ver se a bebida
quebra essa gente
que, desentendida
povoa minhas quebradas
fibras, moléculas, paixões
pra ver se as paixões
habitam mesmo
ou se a gente é que as habita.
entre tentar pôr um gelo e outro
para quebrar a realidade
achei que não fazia mal –
não é da natureza das coisas derramadas?
virgínia é tão íntima da realidade
sua pele é tanto pele, é realidade
que quis matar virgínia para vivê-la
como se mata e vive a realidade:
quis escrevê-la
porque realidade alguma sobrevive ao vesso.



