virgínia, que nasceu na ressaca do rock (poema)

virgínia, que nasceu na ressaca do rock

 

bebia com gelo
pra ver se o gelo
quebra a bebida
pra ver se a bebida
quebra essa gente
que, desentendida
povoa minhas quebradas
fibras, moléculas, paixões
pra ver se as paixões
habitam mesmo
ou se a gente é que as habita.

entre tentar pôr um gelo e outro
para quebrar a realidade
achei que não fazia mal –

não é da natureza das coisas derramadas?

virgínia é tão íntima da realidade
sua pele é tanto pele, é realidade
que quis matar virgínia para vivê-la
como se mata e vive a realidade:
quis escrevê-la

porque realidade alguma sobrevive ao vesso.


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